Na perícia trabalhista, o assistente técnico não é só um especialista na área técnica em discussão. Ele precisa entender, também, a estratégia jurídica que o advogado está construindo. Sem essa sintonia, a perícia corre o risco de virar um trabalho isolado, que não conversa com o resto da defesa.
O problema do "quebra-galho"
É comum empresas contratarem, na última hora, um profissional autônomo só para "cobrir" a perícia. Alguém que atua nessa função como trabalho secundário, sem rotina de acompanhar processos, sem alinhamento prévio com o advogado, e muitas vezes sem nem conhecer a tese contestatória do caso.
Esse tipo de contratação tem um custo que só aparece depois, quando o laudo já foi produzido e não há mais como corrigir o rumo.
O que dá errado quando falta esse alinhamento
Alguns problemas comuns quando o assistente técnico não conversa com o jurídico:
- Quesitos genéricos. Sem entender a tese de defesa, o assistente formula perguntas que não protegem os pontos mais sensíveis do caso.
- Achados relevantes não registrados. Um detalhe técnico que faria diferença na argumentação passa despercebido, porque o profissional não sabia que aquilo importava.
- Parecer desconectado da contestação. O documento técnico existe, mas não reforça os argumentos que o advogado já apresentou no processo.
- Falta de continuidade. Cada nova perícia da empresa é tratada como um caso isolado, sem aprendizado acumulado sobre o histórico da defesa.
O que muda com um assistente técnico alinhado
Quando o assistente técnico entende a estratégia do caso, ele deixa de ser apenas um executor de exame técnico e passa a atuar como parte da defesa. Isso significa:
- Quesitos formulados para reforçar pontos específicos da tese;
- Atenção redobrada aos detalhes que o jurídico já sinalizou como sensíveis;
- Um parecer técnico que dialoga diretamente com a contestação;
- Histórico de atuação que se acumula a cada novo caso da empresa.
Como identificar esse risco antes de contratar
Alguns sinais de que um profissional pode não estar preparado para esse tipo de trabalho:
- Não pergunta sobre a tese de defesa antes da perícia;
- Trata a perícia como um serviço pontual, sem contato prévio com o jurídico;
- Não tem histórico de atuação recorrente nesse tipo de processo;
- Entrega o parecer sem alinhar antes com o time jurídico responsável.
Nenhum desses sinais, isoladamente, invalida um profissional. Mas juntos, indicam um risco real: o de a empresa ir à perícia sem uma defesa técnica de fato integrada à estratégia do processo.
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